Fundamentos

Edmund Gustav Albrecht Husserl (1859 – 1938) – matemático e filósofo
alemão que fez parte da lista dos 10 intelectuais mais importantes do século XX.
Discutiu a situação epistemológica das ciências naturais e se propôs a
desenvolver uma ciência filosófica – fenomenológica – que as fundamentasse
rigorosamente. Realizou a analítica da consciência intencional e estruturou o
método fenomenológico de formulação de conhecimento tanto para as
ciência naturais quanto humanas.

Martin Heidegger (1889 – 1976) – filósofo alemão, professor universitário, também
considerado como um dos 10 intelectuais mais importantes do século XX. A partir de discussões cuidadosas das filosofias de vários pensadores como Parmênides, Aristóteles, Santo Agostinho, Kierkegaard, Nietzsche, Husserl, etc., põe em questão a estrutura da metafísica ocidental e constitui sua ontologia. Em função da proposta de retomar a discussão do sentido do ser, realiza a analítica do humano estabelecendo-o como ente existente – Dasein e não sub-existente. A analítica existencial consiste em horizonte compreensivo irrecusável para o entendimento da estrutura de ser do ente humano e para trabalhos práticos com a existência em qualquer área das Humanidades. Sua obra completa inclui mais de 100 livros.

Eugene Minkowski (1885-1972) psiquiatra influenciado pelas filosofias de Bergson,
Scheler e Husserl. Para apreender os fatores geradores dos transtornos da
consciência e dos sintomas dos pacientes, realiza fenomenologia que denominou
de fenomenologia clínico – descritiva estrutural. Descreveu o transtorno básico da
experiência do tempo em sua obra “Les Temps Vécu” de 1933. Suas publicações sobre
psiquiatria clínica e psicopatologia são todas denominadas de “psiquiatria
fenomenológica”. Sugestão de leitura: “Les Temps Vécu”.

Ludwig Binswanger (1881-1966) psiquiatra suíço, cursou medicina na Universidade de Heidelberg. Herdou a clínica psiquiátrica “Bellevue” de seu avô Ludwig e de seu pai Roberto Binswanger. Entendia que a Psiquiatria e a Psicopatologia precisavam ser modificadas em suas estruturas e transformadas em Psiquiatria Antropológica. Já maduro, foi estudar filosofia e, a partir da Fenomenologia de Husserl, transforma sua Psiquiatria em Psiquiatria Antropológica Fenomenológica. Esta Fenomenologia o encaminhou para a Analítica do Dasein de Heidegger (Ser e Tempo) a partir da qual desenvolveu a Análise Existencial chamada também de Psiquiatria Daseinsana

litica ou Daseinsanálise Psiquiátrica. Jamais abandonou a ideia de que a psiquiatria deve ser ciência do enfermo e não da enfermidade. Sugestão de leitura: “Artículos y Conferencias Escogidas”, Madrid: Gredos.

Segundo o polêmico filósofo Jean-Paul-Sartre, (1905 – 1980),
Ser … é unificar-se no mundo“. (p. 685)

 

Sartre trata da necessidade de “um método especial para extrair a significação fundamental que o projeto comporta, projeto que é o segredo individual [do] ser-no-mundo”.

 

Segundo Sartre, podemos, extrair e descobrir o projeto fundamental comum de um sujeito nas diversas tendências empíricas comparando-as entre si ao contrário de somá-las ou recompô-las simplesmente, pois: “em cada uma delas está lá a pessoa integral”. (p.688). Para realizar isto, é preciso seguir o princípio de “só nos determos diante da irredutibilidade evidente”, a saber, buscar até alcançar o projeto inicial do sujeito “até que o fim projetado apareça como o ser mesmo do sujeito que consideramos”. (p.688)

 

Sobre o projeto particular afirma que ele não é senão “a eleição de mim mesmo, como totalidade nessa circunstância”. (p. 688)

Ler Gadamer traz uma sensação de encontrar um homem tranquilo, reflexivo, sábio que entendeu a essência do pensamento ocidental e a necessidade de modificá-la e, daí, o valor da filosofia desconstrutiva de vários autores como Martin Heidegger, por exemplo.
Talvez, por isso, traz também, a impressão de entender porque viveu 102 anos (1900-2002). Para além disso, o filósofo soube desenhar uma filosofia hermenêutica própria, como a que descreveu em seu Livro ”Hermenêutica da obra de arte”. Sugestões de leituras: “Hermenêutica em Retrospectiva” e “O caráter oculto da saúde”

O brilhante aluno da ‘ACADEMIA’ de Platão, Aristóteles chama de “verdadeiras” e “primeiras” as coisas em que acreditamos por conta somente delas próprias. Até porque, afirma o estagirista, em se tratando de ciência, não faz sentido procurar razões das coisas além delas mesmas.
Sugestão de leitura: Da Alma – De Anima